Meio Ambiente e Biodiversidade

A Sustentabilidade Ambiental, Social e Econômica

A conceituação do termo sustentabilidade criou corpo na primeira conferência sobre meio ambiente realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Estocolmo em 1972, na qual buscou dar luz ao debate internacional sobre a acelerada degradação ambiental causada por um sistema econômico insustentável, baseado na  exploração dos recursos naturais. Dando continuidade às conferências internacionais da ONU em 1987, no Relatório Brundtland, inicia-se a reflexões sobre desenvolvimento sustentável e a importância de se resguardar os recursos para as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades.

O conceito se consolida em uma perspectiva aparente de harmonizar os paradigmas entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Dentro dessa linha de pensamento, a sustentabilidade, se publiciza entre as camadas sociais pelo entender do desenvolvimento sustentável como um conjunto de ideias e praticas ecologicamente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas, na construção de novos alicerces voltados para a sustentabilidade planetária.

Na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92),  se reafirma a importância de um desenvolvimento sustentável e produz em sua Cúpula, a Agenda 21. O documento propôs nortear lideres governamentais para um planejamento participativo em nível global, nacional e local, afim de atingir um desenvolvimento sustentável para o século XXI. Um desenvolvimento com foco nos seres humanos e na proteção do meio ambiente como partes fundamentais do processo de crescimento econômico sustentável. 

A Agenda 21 (Eco-92) evoluiu, durante as conferências seguintes, e o conceito foi revisitado, juntamente com a revisão dos acordos internacionais e os avanços alcançados. Dez anos depois dando continuidade às conferências do meio ambiente, em Johanesburgo (2002) é proposto os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Dez anos depois os ODM evoluem com a Conferencia da Rio+20 em 2012, para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com a atual Agenda 2030.

A  Agenda foi construída através da consulta de representantes das diversas esferas sociais durante três anos, e em 2015, conclui-se o documento “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, se oficializa os 17 Objetivos e 169 Metas a serem alcançadas até 2030. O documento busca, por meio do comprometimento planetário, soluções para a crise socioambiental, visando erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, respeitando os limites de recursos do planeta.

Nesse entender, o termo desenvolvimento sustentável passou a permear diversas áreas tangentes ao crescimento econômico, equidade social e a proteção do meio ambiente; essencial à sobrevivência humana e a satisfação das necessidades básicas. Entretanto, apesar da vasta literatura e dos esforços internacionais em busca de um ponto de equilíbrio entre a capacidade suporte do planeta (diante a exploração dos recursos naturais) e o desenvolvimento econômico (na satisfação das necessidade desta e das próximas gerações), o desenvolvimento sustentável abriga um conjunto de paradigmas insolúveis.

Quase 20 anos após a primeira Cúpula da Terra (1992) as modelagens cientificas demostram uma incoerência entre a permanência do crescimento econômico e a conservação do meio ambiente, na garantia da perpetuação dos processos ecossistêmicos, tanto para a sobrevivência da espécie, quanto para manutenção de uma economia baseada no consumo de matérias primas. Os limites planetários estão em sobrecarga e os conceitos de desenvolvimento sustentável não suprem os desafios encontrados em abastecer uma superpopulação de quase 8 bilhões de pessoas e manter a resiliência do planeta. 

A sustentabilidade, diante o olhar da conservação, é um problema complexo e interdisciplinar que deve somar esforços em todas as áreas, se quisermos encontrar soluções para a atual crise ecológica humanitária. O desenvolvimento sustentável é um dos caminho para se alcançar a sustentabilidade, como objetivo final de longo prazo, porém está longe de reverter o grau de degradação causada pelo atual modelo de desenvolvimento econômico. Por tal se faz necessário aumentar os esforços a fim de buscar a sustentabilidade ecológica na garantia de condições ambientais necessárias para dar suporte à vida humana em um nível de bem estar das atuais e futuras gerações.

Lorena Gebara é Pesquisadora, Bióloga de Campo e Educadora. Atua nas áreas de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Políticas Públicas, Educação e Gênero, elaborando projetos de desenvolvimento Socioambiental. Entre em contato pelas redes sociais e deixe seu comentário no Instagram @kiu_bio ou Facebook Kiu Bio  e receba consultoria personalizada em sustentabilidade integral.

Edição: Ewerton Souza

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