Animais e plantas Meio Ambiente e Biodiversidade

Por que alguns peixes conseguem sobreviver em águas poluídas?

Por Thais Araújo 19/10/2020

A poluição da água representa um dos maiores problemas ambientais que assombram os rios nas cidades e áreas agrícolas. Os tipos de poluição na água, as mais comuns provêm das atividades antrópicas, ou seja, as atividades humanas, como a urbanização e agricultura. A poluição urbana é causada pelo escoamento dos lixos domiciliares que vão para os rios e mares, já na agricultura o uso de fertilizantes e agrotóxicos no solo podem ser carregados com a ação da chuva e levados para um rio mais próximo. 

Foto por Yogendra Singh em Pexels.com

Contudo o que se observa nesses locais é que alguns animais são mais tolerantes do que outros, e mesmo em condições tão desfavoraveis alguns peixes conseguem sobreviver. Como isso é possível? 

Os peixes vivem constantemente em contato com diversas substâncias potencialmente nocivas, pois estão em contato íntimo com a água. As mudanças na qualidade da água, como o despejo de esgoto, fertilizantes e agrotóxicos alteram as comunidades aquáticas, favorecendo o aumento de peixes mais resistentes, esses peixes são chamados de bioindicadores, pois indicam alterações ambientais. Os peixes bioindicadores ideais são aqueles que sobrevivem em ambientes saudáveis, mas também apresentam resistência aos contaminantes ambientais e/ou à qualidade da água.  

Um exemplo de peixe que é muito tolerante é a traíra, Hoplias malabaricus (Bloch, 1794). A traíra é um peixe nativo, predador de topo da cadeia alimentar, vivem em águas doces, com ampla distribuição geográfica. Elas são capazes de suportar longos períodos de jejum e ambientes com pouco oxigênio, contribuindo para sua ampla distribuição e adaptação. 

Outro peixe é o barrigudinho ou Guppy, Poecila reticulata (Peters, 1859). Esse é um peixe não-nativo, indicador de degradação de ambientes aquáticos, pois consegue viver e reproduzir locais poluídos, com baixas concentrações de oxigênio e alta turbidez. O Guppy consegue sobreviver próximos a locais de despejo de esgoto, pois possuem a capacidade de mudar hábitos alimentares, alimentando-se diretamente do esgoto. Essas características contribuem para o sucesso de colonização, estabelecimento e reprodução. 

Estudar esses animais bioindicadores possibilitam ferramentas para uma melhor compreensão desses ecossistemas quando estão em condições desfavoráveis. A poluição e a invasão de peixes não-nativos são consideradas os principais fatores que podem levar a perda da biodiversidade e até a extinção de espécies nativas em ambientes de água doce. Uma vez que esses dois impactos estão diretamente relacionados, pois a poluição nos ambientes aquáticos pode aumentar o sucesso de invasão dos peixes não nativos, facilitando aumento da sua população e dispersão.

Thaís Paula de Araújo é licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Atualmente é mestranda em Biotecnologia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no Laboratório de Processamento de Tecidos – LAPROTEC, onde desenvolve seu projeto avaliando os efeitos das mudanças globais em lagos tropicais.

Edição: Edson Paz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: