Meio Ambiente e Biodiversidade

Dia da Amazonia é lembrado com o maior índice de desmatamento

Por Lorena Gebara 09/09/2020

Enquanto alguns comemoram o feriado de 7 de Setembro, nós ambientalistas e pessoas preocupadas com a crise socioambiental, não temos muito a comemorar neste 5 de Setembro, Dia da Amazônia. A atual realidade dos crimes ambientais na Amazônia é mais desafiadora do que nunca. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), agosto de 2020 apontou para uma taxa de desmatamento recorde na década. Entre agosto de 2019 e julho deste ano, os alertas de desmatamento apontaram para uma área de  9.205 Kmsó na Amazônia, equivalente a mais de 1 milhão de campos de futebol, um aumento  de 34,5%.

Uma das maiores causas das alterações no clima do planeta é a destruição da Amazônia, tanto pela perda dessa biomassa viva captadora de enormes quantidades de CO2 e recicladora de importantes ciclos naturais. Como também pela liberação de CO2 e outros gases potencialmente tóxicos, devido a grande quantidade de áreas em chamas durante tanto tempo. O fogo também destrói milhares de espécies que nem foram descobertas ainda, um patrimônio natural e científico não valorado, da biodiversidade mais rica do mundo. Matéria prima de grande potencial em princípios ativos para fármacos, alimentos, têxtil e outros subprodutos da floresta que poderiam ser comercializados gerando renda e melhor distribuição de recursos. 

O valor da Floresta em pé é uma importante discussão que temos que travar pra combater, não só o desmatamento, mas toda essa cadeia de pensamento retrógrado que acredita que o meio ambiente é um empecilho para o desenvolvimento econômico. Nesse sentido vale a pena revisitar o artigo “Quanto vale a preservação da Natureza? É ciência ou simbolismo de “Ecochatos”. O estudo “Quanto Vale o Verde” demonstra que ao utilizarmos nossos recursos naturais de forma predatória estamos perdendo dinheiro, não só extinguindo recursos que poderiam ser melhor gerenciados, como também deixando de arrecadar e gerar empregos, incentivando a cadeia da ilegalidade, da grilarem, do desmatamento, do latifúndio e da concentração de renda.

Esse é um alerta importante, invasões e grilarem de terras para uso na pecuária bovina comercial ilegal vêm aumentando às custas dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais residentes nas reservas extrativistas.  Em julho, a Anistia Internacional lançou o relatório “Da Fazenda à Floresta”, que revelou que o gado bovino criado ilegalmente em uma terra indígena e duas reservas ambientais, no estado de Rondônia, entrou na cadeira de fornecimento da JBS em 2019, a maior produtora de carne bovina do mundo. Aqueles que vivem e  protegem suas terras preservadas, temem as intimidações dos invasores na pecuária ilegal.

Essas ações são frequentemente acompanhadas de ameaças contra os povos indígenas e comunidades tradicionais que residem em Reservas Extrativistas, violando seus direitos e colocando em risco sua existência e seu futuro. Os povos indígenas, guardiões da floresta  estão sofrendo com invasões, ameaças e até assassinatos, além do efeito devastador da Covid-19. Muitos com medo e com a ausência de políticas públicas protetoras são forçados a fugir de suas terras. Exigir um posicionamento dos Governos é um direito de todo o cidadão preocupado com a saúde, bem estar e qualidade de vida no planeta. 

Lorena Gebara é Pesquisadora, Bióloga de Campo e Educadora. Atua nas áreas de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Políticas Públicas, Educação e Gênero, elaborando projetos de desenvolvimento Socioambiental. Entre em contato pelas redes sociais e deixe seu comentário no Instagram @kiu_bio ou Facebook Kiu Bio  e receba consultoria personalizada em sustentabilidade integral.

Edição e Arte: Edson Paz

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