Animais e plantas Meio Ambiente e Biodiversidade

Rompimento da barragem em Mariana

Por Thais Araujo 17/08/2020

O rompimento da barragem em Mariana ocorreu em 5 de Novembro de 2015 e foi considerado o maior desastre ambiental do Brasil envolvendo barragem de rejeitos. O desastre foi causado pela ruptura da barragem do Fundão, operada pela empresa Samarco Mineração SA, localizada no distrito de Bento Rodrigues (Mariana, MG).  

Foto por Christophe Simon em g1.globo

    Foram despejados cerca de 60 milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro, atingindo os rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce, poluindo mais de 650 km de cursos de água até o Oceano Atlântico. O desastre causou enormes impactos sociais, econômicos e ambientais. Além da destruição do meio-ambiente, contaminação dos rios e do solo, o evento causou a morte de 19 pessoas e deixou centenas de pessoas desabrigadas.  

    Estudos apontam alta contaminação de metais pesados nos rios, como: Manganês, Cádmio, Arsênio, Cobre e Cromo. Esses metais podem ser nocivos à saúde humana e aos organismos aquáticos. Um dos grupos de animais que foram afetados é o dos peixes, uma vez que os metais pesados contaminam esses animais e podem causar a morte deles.  

    Os peixes expostos à água de rios pertencentes a bacia do Rio Doce, contaminados com a lama de rejeitos da barragem do Fundão, apresentaram alterações nos tecidos, como fígado e brânquias. O fígado é um órgão importante no metabolismo e que pode atuar na detoxificação (processo realizado pelo fígado que busca a eliminação ou redução de compostos químicos ou moléculas estranhas ao organismo) de contaminantes ambientais. Enquanto as brânquias estão envolvidas primariamente na respiração dos peixes, que devido o contato direto com o ambiente, podem sofrer alterações. Os peixes também apresentaram ativação de proteínas envolvidas na detoxificação de contaminantes, mostrando que os poluentes presentes nas águas desses rios podem comprometer o funcionamento dos órgãos, e consequentemente afetando a saúde e sobrevivência desses animais. 

Foto por Vinícius Berteli em g1.globo

    O Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática da Área Ambiental da Rede Rio Doce Mar/RRDM também aponta diversos danos ambientais nos rios e nos estuários (ambiente de transição do rio e mar), dentre eles:

– Desaparecimento de espécies de plantas e animais;

– Alteração na composição dos microrganismos da água e do sedimento;

– Impacto no tamanho de peixes não-nativos, como a tilápia e tucunaré;

– Diminuição da diversidade de peixes dos estuários;

– Níveis elevados de Manganês, Arsênio e Zinco em aves estuarinas;

– Ausência de floração em plantas;

– Altas concentrações de Ferro, Manganês e zinco nos tecidos de caranguejos;

– Altas concentrações de Ferro e Manganês no solo e nas plantas;

– Presença de cianobactérias potencialmente tóxicas; 

– Desaparecimento de espécies de restinga; 

– Alteração na composição dos animais de manguezais;

– Bioacumulação de metais em camarões, caranguejos, peixes e aves.

Referências 

Macêdo, A. K. S., Dos Santos, K. P. E., Brighenti, L. S., Windmöller, C. C., Barbosa, F. A. R., de Azambuja Ribeiro, R. I. M., … & Thomé, R. G. (2020). Histological and molecular changes in gill and liver of fish (Astyanax lacustris Lütken, 1875) exposed to water from the Doce basin after the rupture of a mining tailings dam in Mariana, MG, Brazil. Science of The Total Environment, 139505. 

Link: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969720330229?via%3Dihub

Bianchini, A; Bastos, A. C; Teixeira, E. C; Castro, E. V; Santos, J. A.D. (2019). Relatório Semestral-Sessão 1. Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática da Área Ambiental I – Porção Capixaba do Rio Doce e Região Marinha e Costeira Adjacente. Rede Rio Doce Mar / RRDM. 

Thaís Paula de Araújo é licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Atualmente é mestranda em Biotecnologia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no Laboratório de Processamento de Tecidos – LAPROTEC, onde desenvolve seu projeto avaliando os efeitos das mudanças globais em lagos tropicais.

Edição e Arte: Edson Paz

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