Meio Ambiente e Biodiversidade saúde

O Glifosato no banco dos réus

Por Sayuri Yamagata 02/07/2020

Ao mesmo tempo, a União Europeia (EU) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos defendem que o glifosato e outros herbicidas baseados no mesmo produto químico não causam danos significativos à saúde humana. Mas há controversas. Após anos de pulverização de glifosato Christine Sheppard, Fabian Tomasi, Dewayne Johnson e tantos outros agricultores acabaram por desenvolver câncer. Como isso é possivel?

Foto por Stephan Müller em Pexels.com

Quando analisamos essa questão mais profundamente, podemos ver que algo não está certo. Segundo Hilary Brueck, da Business Insider, essas agências basearam seus argumentos em estudos não publicados e financiados pela indústria, enquanto a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde se baseou em estudos revisados por pares. 

Isso é verdade, sem mencionar as falhas técnicas relacionadas ao planejamento experimental, como o tempo insuficiente de estímulo com glifosato e o uso de glifosato apenas, em vez do herbicida e seus adjuvantes, que foram demonstrados ter efeito sinergético (adicional). 

Uma meta-análise analisou numerosos estudos sistematicamente e indicou uma lista de maneiras pelas quais os herbicidas a base de glifosato prejudicam a saúde humana. Distúrbios na microbiota intestinal, mutações genéticas e desregulação hormonal são apenas alguns dos exemplos. O glifosato altera as populações de micróbios no intestino, enfraquecendo a defesa do sistema imunológico e facilitando a proliferação de bactérias nocivas, como o H. pylori, causador da gastrite. 

Esse herbicida diminui a produção de hormônios reprodutivos e suas funções e facilita o crescimento de células de câncer de mama. Além disso, mutações como quebra de DNA e aberrações cromossômicas (DNA enrolado e condensado) foram encontradas como resultado da exposição ao glifosato. 

É sabido que o glifosato tem grande relevância para a agricultura, e, a produção agrícola por monocultura ainda é a forma mais eficiente de produção de alimentos em grande escala. Contudo, os agrotóxicos não são inocentes, é necessário mais cautela e visão crítica ao permitir o uso de qualquer produto químico potencialmente prejudicial.  

Você pode saber mais nos seguintes artigos:

https://bit.ly/2NHe8NP

https://cnn.it/2VtAwhX


Ana Sayuri Yamagata, bióloga pela Universidade de São Paulo 

Edição e arte: Edson Paz

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