Meio Ambiente e Biodiversidade

A Proteção das Florestas depende da nossa pressão como cidadãos

Só nas duas últimas semanas, tivemos três datas relevantes para a proteção do Meio Ambiente, a data comemorativa da criação do Fundo Nacional do Meio Ambiente, da Proteção das Florestas e o dia das Florestas Tropicais. Comemorar esses simbólicos momentos, nos faz pensar na forma como as políticas tem sido feitas nos últimos anos. Os últimos levantamentos científicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram o crescente desmatamento na Amazônia e as previsões são devastadoras para os próximos anos, caso não seja alterado o rumo das nossas políticas ambientais.

Foto por David Riaño Cortés em Pexels.com

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia cresceu 30%, com quase 10.000 km² desmatados, o equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol. Segundo os últimos dados do medidos pelo do INPE, a supressão vegetal na Amazônia, bioma com maior biodiversidade do país, cresceu quase 98% entre agosto de 2019 a abril de 2020, um lamentável recorde da década. O desmatamento já destruiu quase 20% da Amazônia e responde por cerca de metade das emissões de gases de efeito estufa pelo Brasil. Vale lembrar ainda, que abriga importantes territórios indígenas, Unidades de Conservação (UC) e florestas não destinadas (sem qualificação legal do território).  

A destruição nitidamente se intensificou como resultado de uma política anti-ambiental que estimula atividades predatórias, como queimadas, desmatamento e garimpo em áreas protegidas e causou o aumento ainda maior da violência contra os povos que vivem e dependem da floresta. O Imazon define o desmatamento, com o processo que realiza corte raso, com a remoção completa das árvores. A degradação, causada pela extração das árvores, ocorre normalmente para comercialização da madeira, posteriormente ocorrem grandes queimadas para limpar o terreno e converte lo em latifúndios de pastos ilegais.

A campanha #TodosPelaAmazônia, apoiada por importantes instituições ambientalistas, como  o Green Peace, tem como foco o combate à grilagem, a exploração ilegal de madeira e a ocupação ilegal de terras públicas no bioma, especialmente em áreas protegidas e terras indígenas. Fortalecer iniciativas que levam à redução do desmatamento, proteção à biodiversidade e criação e implementação de áreas protegidas. A importância das Unidades de Conservação já foram comentadas aqui em nosso site no artigo “Quanto Vale a Preservação do Verde”.

Essa campanha (#TodosPelaAmazônia) reivindica importantes pautas como o fim da exploração de petróleo na Amazônia. Garantir um processo de licenciamento ambiental efetivo e democrático, protegendo pessoas e o meio ambiente. Retomar a demarcação das Terras Indígenas e garantir o respeito dos direitos constitucionais dos povos indígenas. A proibição de novas hidrelétrica que possam atingir áreas de biodiversidades insubstituíveis. A implementação de políticas de combate e mitigação das mudanças climáticas. A redução massivo do desmatamento selando compromissos que visam excluir desmatamento de cadeias produtivas, como é o caso da Moratória da Soja na Amazônia e de outros 

O desmatamento vem crescendo vertiginosamente e se o Governo Federal não modificar profundamente sua postura em relação ao tema, este tende a crescer ainda mais nos próximos anos, fazendo com que o país retroceda 30 anos em termos de proteção à Amazônia. É necessário reverter o desmonte das políticas de preservação e garantir a capacidade do Estado brasileiro em combater os crimes ambientais, assim como restaurar a participação da sociedade e da transparência das informações para controle social. Só assim teremos poder de direcionar as politicas ambientais para a conservação socioambiental e não mais para interesse privados. 

Lorena Gebara: Pesquisadora, Bióloga de Campo e Educadora. Atua nas áreas de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Políticas Públicas, Educação e Gênero, elaborando projetos de desenvolvimento Socioambiental. Entre em contato pelas redes sociais e deixe seu comentário no Instagram @kiu_bio ou Facebook Kiu Bio (consultoria personalizada em Sustentabilidade).

Edição e Arte: Edson Paz

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