Animais e plantas Meio Ambiente e Biodiversidade

Nuvens de gafanhotos, será o apocalipse?

Por Paz & Souza 27/06/2020

Essa semana surgiu a notícia de que uma nuvem de gafanhotos está chegando no Brasil. Ao que tudo indica, a nuvem iniciou no Paraguai e foi para Argentina, depois retornou ao Paraguai e rumou para a Argentina novamente. Obviamente, o governo está preocupado que os gafanhotos venham para o Brasil mas por que tanta preocupação?

Contexto histórico

Quando acontece coisas desse tipo é muito comum as pessoas associarem com fatos bíblicos, afinal a nuvem de gafanhotos esta registrada no antigo testamento como a oitava das dez pragas do Egito, lançada por Deus para libertar o povo Hebreu do antigo Faraó. Contudo, a ciência tem uma versão diferente dessas pragas, incluindo a dos gafanhotos. Ela está relacionada com a região seca e quente do local onde elas ocorreram. Existem espécies de gafanhotos capazes de voar a 3 mil metros de altura, o que facilita serem empurrados pelas correntes de ar e viajar milhares de quilômetros e, inclusive, atravessar o Atlântico.

Vale ressaltar que a espécie de gafanhotos aqui da América do Sul é diferente das espécies que causaram dano aos egípcios em tempos passados relatados na bíblia. Segundo o ministério da agricultura brasileiro, não é a primeira vez que estamos lidando com esse fenômeno, nuvens de gafanhotos já causaram problemas no século 19. Entre 1930-1950 esses insetos devastaram plantações de arroz na região sul do Brasil – Paraná, Santa Catarina e também no Rio grande do Sul- , ou seja, a nuvens de gafanhotos não é algo inédito.

Mas por que esses animais formam nuvens?

Essa agregação de gafanhotos tem algumas razões, uma delas é a temperatura. Em altas temperaturas, em períodos de seca, a reprodução aumenta, ou seja, os animais passam pelo ciclo reprodutivo de maneira mais rápida e geram muitos descendentes, por isso a população cresce de maneira gigantesca. Outro motivo é o comportamento gregário geneticamente determinado, que é a característica desses animais de ficarem em grupos para facilitar reprodução e defesa.

A maior preocupação dos agricultores é que a nuvem é muito imprevisível. Eles podem chegar repentinamente e devastar uma lavoura.  Pode-se dizer que  atacam tudo o que é verde para se alimentarem. O que se sabe é que  existem condições ambientais que favorecem a migração ou mesmo destino dessa migração, como a direção das correntes de ar que podem direcionar os voos desses animais. Uma nuvem pode conter até 50 milhões de animais por quilômetro quadrado, e pra se ter uma ideia do estrago, os gafanhotos comem o equivalente a 2mil  vacas ou 350 mil pessoa em um dia.

E o Brasil?

Sim, é possível eles chegaram no Brasil, mas existe alguns fatores que podem impedir: os ventos frios e úmidos vindos do Sul,  por exemplo. Podemos ficar mais tranquilos nesse sentido porque a climatologia indica que teremos frio e chuva na região Sul e  isso é um fator prejudicial aos animais, uma vez que temperaturas mais baixas e a chuva podem dispersar a nuvem e consequentemente reduzir o poder de estrago desses insetos. Isso pode servir de controle, deixando os agricultores um pouco mais aliviados.

E se eles chegaram o que pode acontecer? A tendencia natural seria usar inseticidas para controlar, o problema é que esses inseticidas, de modo geral, contaminam o animal por ingestão, ou seja, depois que o animal já se alimentou e causou o dano. O inseticida pode também levar a morte de outros insetos polinizadores, importantes para o ecossistema. O grande problema dessas nuvens de gafanhotos é justamente a imprevisibilidade. Por isso o monitoramento em tempo real dessa nuvem, observando em qual direção ela está se movendo é tão importante para que o inseticida seja administrado de maneira eficiente sem causar problemas.

O ministério da agricultura tem monitorado e afirma que,  por enquanto, não há grandes chances de que eles cheguem aqui, mas é sempre bom continuar em alerta.

Desequilíbrio ecológico

A utilização dos agrotóxicos nas plantações precisa ser melhor planejada. Nossas atitudes podem acabar piorando as coisas, enquanto pensamos apenas em aumentar a produção no curto prazo. Ao invés de colocar a culpa nos outros e associar isso a questões divinas, já está na hora de pensar nos nossos atos como seres humanos. 

É claro que a agricultura convencional é fundamental para a produção de alimentos em grande escala, mas é fundamental usar a ciência e continuar buscando novas abordagens para que isso possa ser feito de maneira mais responsáveis evitando desastres naturais como a nuvem de gafanhotos.

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