Animais e plantas Meio Ambiente e Biodiversidade

Incrível! Abelhas furam plantas para acelerar florescimento

A relação mutuamente benéfica entre insetos polinizadores e flores remonta a cerca de 130 milhões de anos. As plantas fornecem comida aos polinizadores, em troca, os polinizadores fertilizam suas flores.


As abelhas normalmente saem da hibernação no início da primavera. Porém, alguns fatores como as mudanças climáticas que tornam as condições da primavera menos previsíveis, podem atrapalhar o momento da relação entre abelhas e flores fazendo com que os abelhas saiam da hibernação muito cedo. No entanto, às vezes surgem cedo demais e descobrem que as plantas ainda não têm flores e são desprovidas de pólen, o que significa que as abelhas passam fome.


Apesar disso, um novo estudo, que deixou cientistas surpresos, revelou que as abelhas tem um estratégia. Ecologistas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique, observaram abelhas de cauda amarela fazendo pequenas incisões nas folhas de suas plantas na estufa dentro do laboratório. Os insetos não pareciam carregar os pedaços de folhas para seus ninhos ou ingeri-los.

Como o comportamento era observado apenas quando as abelhas não tinham polém, os cientistas suspeitaram que elas estavam induzindo as plantas a florescer, a a equipe organizou uma série de experimentos para descobrir.


COMO OS EXPERIMENTOS FORAM CONDUZIDOS


Os pesquisadores colocaram plantas de tomate e mostarda preta sem flores e desprovida de polem, em gaiolas de malha com colônias de abelhas com cauda amarela . Eles então removeram as plantas depois que as abelhas operárias fizeram de cinco a dez buracos em suas folhas. As pequenas perfurações fizeram com que as plantas de mostarda preta florescessem duas semanas mais cedo do que o habitual, e o tomate um mês antes do normal, de acordo com o estudo, publicado em 21 de maio na Science .


Os cientistas também compararam colônias de abelhas alimentadas com as abelhas privadas de pólen . As abelhas operárias das colônias alimentadas com pólen raramente danificam as plantas, enquanto as das colônias privadas de pólen ocupadamente o fazem. E para garantir que seus resultados não fossem devidos às condições artificiais do laboratório, os cientistas colocaram colônias de abelhas e uma variedade de espécies de plantas sem flores em seu telhado de Zurique.


As abelhas eram livres para procurar comida o quanto quisessem. No entanto, eles começaram a trabalhar danificando as folhas de todas as plantas não-floridas mais próximas de suas colmeias. O interesse das abelhas nessa atividade diminuiu no final de abril, à medida que mais plantas locais floresceram – novamente, estabelecendo que o comportamento de morder as folhas das abelhas é impulsionado pela disponibilidade de pólen, dizem os cientistas.


Os achados surpreenderam os cientista e, um de seus experimentos, os deixou ainda mais intrigados. Quando os autores do estudo usaram uma pinça de metal e uma navalha para imitar os buracos feitos pelas abelhas, as plantas floresceram mais cedo do que o normal, mas não tão cedo quanto em resposta às picadas das abelhas.

Eles fazem algo que ainda não capturamos“, diz o co-autor do estudo Mark Mescher , ecologista evolucionário também do instituto suíço. “Pode ser que eles introduzam uma indicação bioquímica ou de odor de uma glândula salivar, esperamos descobrir isso”, afirmou o cientista em entrevista à Natgeo.

IMPORTÂNCIA DO ESTUDO


A pesquisa é promissora por dois motivos. Por um lado, isso sugere fortemente que as abelhas manipulam flores, uma habilidade particularmente útil, já que o aquecimento global está fazendo com que os polinizadores surjam antes que as plantas floresçam. Os insetos dependem quase exclusivamente do pólen como alimento para eles e suas larvas no início da primavera.


Também é um impulso potencial para o suprimento de alimentos humanos: se os agricultores puderem convencer suas plantações a florescer cedo, isso poderá aumentar a produção de algumas plantas.

Para os especialistas em abelhas, uma das maiores maravilhas do estudo é que ele começou com uma observação simples do comportamento dos insetos que levou a descobrir um fenômeno totalmente novo.

link do artigo científico: https://science.sciencemag.org/content/368/6493/881?intcmp=trendmd-sci

Ewerton Souza – Biólogo e divulgador de ciência no grupo BIO+.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: