Meio Ambiente e Biodiversidade

Quanto vale a preservação da Natureza? É ciência ou simbolismo de “Ecochatos”

O livro “Quanto Vale o Verde: A Importância Econômica das Unidades de Conservação Brasileiras” de Carlos Eduardo Young & Rodrigo Medeiros, destrincha importantes dados sobre a contribuição que a proteção das áreas verdes pode trazer para a economia nacional, por meio da valoração dos bens e serviços oferecidos efetiva ou potencialmente pelas Unidades e Conservação (UCs). Em 2016, foram 17 milhões de visitantes nas UCs, gerando um impacto positivo na economia de 2,5 a 6 milhões de reais, além da geração de 77 a 133 mil cargos de trabalho direta e indiretamente criados pelo turismo ecológico. Com um incremento de apenas 20% no investimento nas UCs, se poderia chegar a um retorno de 500 milhões a 1 bilhão reais de arrecadação, com a criação de mais 15 a 42 mil empregos.

Com uma perspectiva inovadora em bases cientificas, o turismo preservacionista nas Unidades de Proteção Integral, agregados aos produtos e subprodutos das Unidades de Uso Sustentável, como Reservas Extrativistas, podem se tornar muito mais lucrativos e benéficos que o agronegócio. Entre os benefícios está a geração de receita tributária para municípios, o uso público sustentável das áreas protegidas com produção de água e solo, comercio internacional de produtos florestais e do estoque de carbono, além das vantagens inerentes às metas de desenvolvimento sustentável, como o reconhecimento internacional do Brasil como pais que cuida da sua biodiversidade com a recuperação de Fundos e Certificações.

Segundo os preceitos dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), que buscam assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de ecossistemas terrestres e aquatícos, as #unidadesdeconservação são os melhores instrumentos para a proteção desses ecossistemas e seu manejo sustentável. As Metas ODS se remetem as obrigações decorrentes de acordos internacionais de países signatários da Agenda 2030 da ONU.  Vale mencionar que as metas nacionais para a proteção dos biomas por meio de Unidades de Conservação são 30% da Amazônia e 17% dos demais biomas terrestres até 2020, conforme estabelecido junto à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB, Meta 11 de Aichi).

O estudo “Quanto Vale o Verde” demonstra que ao utilizarmos nossos recursos naturais de forma predatória estamos perdendo dinheiro, não só extinguindo recursos que poderiam ser melhor gerenciados, como também deixando de arrecadar e gerar empregos, incentivando a cadeia da ilegalidade, da grilarem, do desmatamento, do latifúndio e da concentração de renda. Nessa perspectiva estamos na contra mão de todas as recomendações cientificas e econômicas de um desenvolvimento saudável, visto que o desmatamento da Amazonia chegou a picos assustadores nos últimos anos  e mesmo assim está em tramite no Congresso a PL 2633/2020, apelidada de MP da Grilagem #pl2366não, por ampliar a anistia de quem invadiu terras públicas, incentivando ao avanço de grileiros e madeireiros em áreas protegidas.

Segundo a plataforma Global Forest Watch, o Brasil lidera o desmatamento de florestas primárias no mundo, os alertas de desmatamento na floresta Amazônica bateram recordes históricos nos últimos anos. O primeiro trimestre de 2020 foi o maior dos últimos dez anos, com 796 km², o equivalente a quase 80 mil campos de futebol oficiais. Ressaltando que o primeiro trimestre de cada ano costuma ser o que apresenta os níveis mais baixos de desmatamento na Amazônia, devido às chuvas fortes que marcam o inverno amazônico e dificultam a propagação de incêndios e a própria operação de desmate.

Tal cenário calamitoso deflagra o desinteresse do governo em frear tais ilegalidades, muito sincronizado com a fala do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles na reunião Ministerial, publicizada após denuncia do ex-Ministro Sergio Moro contra o governo Bolsonaro. Frases como “passar a boiada e aproveitar para mudar o regramento enquanto atenção da mídia está voltada para a Covid-19”, demonstra um plano obscuro da venda dos recursos públicos em pró a interesses privados atrelados a bancada do agronegócio. #essaboiadanãovaipassar Por isso a importância de se barrar uma PL que anistia desmatadores e grileiros. Acompanhe nossos artigos e siga as # para fortalecer o movimento ambientalista e agregar o movimento do ponto de virada para a sustentabilidade.

Lorena Gebara: Pesquisadora, Bióloga de Campo e Educadora. Atua nas áreas de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Políticas Públicas, Educação e Gênero, elaborando projetos de desenvolvimento Socioambiental. Entre em contato pelas redes sociais no Instagram @kiu_bio ou Facebook Kiu Bio (consultoria personalizada em Sustentabilidade)

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