Meio Ambiente e Biodiversidade

O desenvolvimento sustentável é o compromisso com as vidas de todas as espécies

Há cinco anos, os 193 países-membros das Organizações das Nações Unidas (ONU), incluindo o Brasil, abraçaram uma agenda transdisciplinar pelas pessoas, pelo planeta e pela prosperidade: A Agenda 2030

O pacto é um chamado global e local, para que pessoas, organizações e governos se comprometam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, definidos pelo maior processo de consulta pública já conduzido pela humanidade, os quais revelam 169 metas associadas à 17 causas como, por exemplo, a ação global contra a mudança no clima (ODS 13), vida na água (ODS 14), vida terrestre (ODS 15) e fome zero e agricultura sustentável (ODS2). 

Esses objetivos estão claramente associados com a preservação da biodiversidade, não? Mas, convido você a observar atentamente os outros 13 ODS: 

Façamos agora um rápido exercício: 

Ao olharmos para o ODS 12, sobre consumo e produção responsáveis, também estaríamos zelando pela biodiversidade de nossos sistemas ? 

Segundo o estudo lançado pelo WWF em  2015, o volume de plástico que chega aos oceanos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, por ano. O que impacta na dramática estimativa de que 90% das aves marinhas já ingeriram plástico alguma vez na vida e que, neste ritmo, 9 entre as 10 aves que ainda não conheceram o sabor do plástico, terão esse desprazer até 2050.  

Assim, o investimento em economia circular – fomentado pelo ODS 12 -, em que aquilo que seria “lixo” é re-introjetado na cadeia produtiva, se faz uma das soluções para reduzir esse impacto degradante em nosso ecossistema. E esse é apenas um exemplo de desdobramento desse ODS. 

Em primeira perspectiva, estamos falando de uma Agenda que evidencia nosso grau de interdependência entre as esferas social, econômica e ambiental. Essa conjunção de fatores, na esfera corporativa, passou a ser conhecida como o Triple Botton Line. Termo esse, cunhado pelo consultor inglês John Elkington, no início da década de 1990. 

Agora, a Agenda 2030 deixa tangível, com atribuição de responsabilidades e metas, aquilo que convencionou-se a chamar de desenvolvimento sustentável desde o icônico Relatório Brundtland, publicado em 1987 com a rubrica da então primeira-ministra da Noruega e presidente da Comissão Mundial sobre o Meio ambiente e Desenvolvimento da ONU.  

“Desenvolvimento sustentável é a ambição de que a humanidade venha a atender às suas necessidades atuais sem comprometer a possibilidade de que as futuras gerações possam fazê-lo.” 

Assim, no Dia Internacional da Biodiversidade, convém repactuarmos o compromisso de todos nós, cientistas, governos, cidadãos, empresários- vulgo, pessoas -, com essa Agenda global e de tantos impactos locais. Já que, a despeito de tamanha crise sanitária, econômica e social que estamos vivenciando hoje, fica patente que reestruturarmos um ecossistema favorável às espécies – inclusive à nossa –  passa pela capacidade de atingirmos, com urgência, aplicabilidade, escala e interdisciplinaridade, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Há um pacto global do qual todos nós fazemos parte. A hora de agir é agora, que não desperdicemos esta chance! 

Juliane Duarte é Relações Públicas e mestre em Ciências da Comunicação pela USP. É consultora em comunicação com foco em C&T, assuntos públicos e sustentabilidade e diretora de comunicação da RedeComCiência

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