Meio Ambiente e Biodiversidade

É hora de refletir nossa relação com o planeta

Todos nós estamos com a incômoda sensação de que o Mundo parou e não voltará a ser como antes. Mas será que o “antes” era a forma ideal de se viver? 

Longe de subestimar a dor das perdas humanas, abandonar a nostalgia do “antes”, pode ser o passo necessário para a consciência coletiva na caminhada da melhoria da qualidade de vida planetaria. Talvez esse sombrio momento social nos traga importantes aprendizados do individual para o global. Aprendizados que vão além da solidariedade, do altruísmo e da benevolência, mas da causa e consequência de uma necessária união em pró ao equilíbrio vital.

 O isolamento publico nos tem levado a refletir sobre a importância dos valores do convívio social e familiar. De como equilibrar nossas agitadas rotinas aos momentos de cuidado pessoal, profissional e coletivo. Da necessidade de termos uma relação mais saudável com os que estão próximos, como também aqueles distantes pelas desigualdades sociais. Estamos mais do que nunca conectados (presencialmente ou virtualmente) com a família, com os vizinhos e com as notícias mundiais. E isso é um importante passo para nossa percepção como sociedade global, de que literalmente estamos todos no mesmo barco, habitamos da mesma casa, a Terra.

 Como bióloga e educadora, não pude deixar de me questionar. Se estamos tão preocupados com esse instável momento, porque ainda não levamos a sério os diversos estudos científicos que já alertavam para a ligação da intensa exploração dos recursos com a desregulação dos ciclos naturais. Os quais repercutem não só no clima global, mas no aparecimento massivo de doenças físicas e mentais. Uma vez, que artigos mostram a relação intrínseca da natureza com o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida, prestado por ela gratuitamente através dos serviços ecossistêmicos (ambientais, culturais e socioeconômicos).

A importância desse fornecimento de bens materiais e imateriais é tal, que temos na Constituição, o Art. 225 do Cap. do Meio Ambiente da Ordem Social, que ressalta o “direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo”. Se sabemos, por diversos estudos, a necessidade da conservação ambiental para a manutenção da vida, por que continuamos a desconsiderar tais direitos e deveres. E com isso desconsideramos as muitas outras vidas não humanas, silenciadas com a presença opressiva do estilo de vida consumista da sociedade moderna?

Segundo relatório “Planeta Vivo 2018”, da ONG World Wildlife Fund (WWF) em pouco mais de 40 anos o homem extinguiu quase 60% dos animais silvestres. Atualmente 98% da biomassa do mundo é composta pelo homem e seus animais doméstico, principalmente por causa da agropecuária. O relatório apresenta dados preocupantes dos impactos prejudiciais a vida selvagem, florestas, oceanos, rios e clima. Parece-me, assim, mais do que uma prioridade, uma necessidade de sobrevivência, reavaliarmos nossos hábitos diários e o impacto que causamos pelos nossos padrões de consumo.

Mas como sabemos o impacto individual que cada um de nós causa na Terra? Seria possível mensura-lo para então avaliarmos e aplicarmos as tão necessárias mudanças de hábito? Se este artigo te sensibilizou, continue acompanhando nossos conteúdos na semana da Biodiversidade e veja como implementar pequenas ações diárias, que podem contribuir e muito para um mundo mais ecologicamente correto, socialmente justo, economicamente viável (tripé da sustentabilidade). Acredite, fazer o bem repercute o bem, em todas as escalas de nossas vidas.

Lorena Gebara: Pesquisadora, Bióloga de Campo e Educadora. Atua nas áreas de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Políticas Públicas, Educação e Gênero, elaborando projetos de desenvolvimento Socioambiental. Entre em contato pelas redes sociais no Instagram @kiu_bio ou Facebook Kiu Bio (consultoria personalizada em Sustentabilidade)

     

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