Nota do Editor

A divulgação científica como arroz e feijão

Será que a crise na ciência brasileira é culpa do governo?

Como já dizia Carl Sagan “Construímos a sociedade baseada em ciência e tecnologia na qual ninguém sabe nada sobre ciência e tecnologia”.

Carl Sagan – Astrônomo americano, cientista planetário, cosmologista, astrofísico, astrobiólogo, autor, popularizador da ciência e comunicador da ciência. Ele é mais conhecido como popularizador e comunicador científico.

Vivemos em um país bem interessante, o Brasil, no qual pessoas acreditam que a ciência é o nosso futuro como nação, depositam total confiança nos cientistas e nos trabalhos científicos, mas não sabem quem é a comunidade cientifica e não sabem quem são os cientistas do Brasil. Parece incoerente as respostas não acha? Como as pessoas podem depositar tanta confiança em pessoas que não conhecem? Quando se pergunta um exemplo de cientista brasileiro ou de alguma instituição que realiza pesquisa em ciência e tecnologia no Brasil quase ninguém consegue responder.

Vivemos em um país cujo analfabetismo cientifico se destaca, a própria ideia de confiar em um futuro promissor baseado na ciência sem se questionar quem são os atores por trás desse cenário é, no mínimo, estranho. Assemelha-se bastante à política brasileira, na qual só repetimos o que os políticos falam durante as campanhas e depois praticamente não se comenta mais sobre o assunto. As pessoas não participam do desenvolvimento do país, tanto na política quanto na ciência. Talvez essa não seja uma característica exclusiva dos brasileiros mas não estamos acostumados a buscar informações de qualidade, assim como é difícil encontrar informações de qualidade em meio a tantas fontes.

Por esse motivo a ciência tem sofrido derrotas retumbantes para falsas notícias (Fake news). Esse não é um problema exclusivo do Brasil, mas o nosso país também não tem tomado as devidas providências para mitigar as falhas. Vamos pegar por exemplo os Estados Unidos, lá existem problemas sérios com as fake news, por lá também existem movimentos anti-vacinas e terraplanistas semelhantes aos que acontecem aqui. Agora para efeito de comparação, houve um boato de que o governo americano cortaria investimentos da NASA, por isso, milhões de pessoas foram para as ruas protestar, enquanto que no Brasil a noticia dos cortes de investimentos para as universidades levou menos de 500 pessoas à avenida Paulista.

O que acontece com a nossa ciência está bastante claro, apesar de produzirmos ciência de qualidade os brasileiros não sabem disso e não defendem isso, é muito comum ouvirmos dos nossos compatriotas que o Brasil não tem ciência. Até existem sites especializados que produzem noticias sobre os avanços da ciência brasileira, mas a linguagem difícil que aparece nesses locais aliadas a uma falta de alfabetização científica acabam não penetrando os locais onde ela é mais carente.

Já dizia Paulo Freire “o indivíduo que não consegue enxergar o conhecimento que é passado na escola, no seu cotidiano não aprendeu”. Essa frase, escrita por um de nossos maiores intelectuais, tem como propósito criticar a atuação dos docentes e a forma com que o conhecimento é passado dentro das instituições de ensino. Essa frase dita por Paulo Freire também ressalta a importância de um conhecimento significativo para o indivíduo, por isso, a transposição didática dos professores é muito importante.

O propósito da divulgação científica que podemos chamar também de popularização da ciência é tornar o conhecimento acessível à todas as pessoas. Quando se pensa em divulgação científica de qualidade, a qual tem como propósito facilitar para as pessoas o entendimento do que se faz dentro da academia e instigar a curiosidade delas tornando o conhecimento cientifico importante para a sua realidade. Precisamos fazer uma transposição didática desse conhecimento para as pessoas.

Sabendo de todos esses problemas que envolvem a percepção da sociedade para/com a ciência e a ausência dela em sua cultura. Talvez a única forma de se mudar essa condição é construir no brasileiro o hábito de se alimentar de ciência. Para isso, é preciso uma força tarefa, que envolva diferentes esferas do poder político, e obviamente da propria comunidade cientifica. Assim passaremos a incluir no prato da educação brasileira, a ciência.

Por Edson Paz e Ewerton Souza

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